A COR DOS SEUS OLHOS PODE SER REVELADORA

O que dá cores ao nosso olhar?

Sim, não temos o mesmo olhar o tempo todo. Aliás, ele muda até durante o dia. O matinal é diferente do crepuscular. A incidência da luz muda a paisagem. Como os olhares, também se alteram nossos pensamentos e sentimentos.

O mesmo vale para a observação de uma obra de arte, como uma tela de Van Gogh ou de Matisse. O que suscitam depende de quem as observa. E mesmo do momento em que cada um as contempla, pois as reações individuais podem ser bem distintas.

O que dá cores ao nosso olhar?

Visão é diferente de percepção. Podemos ver as mesmas coisas, mas percebê-las muito diferentes. A distinção pode ser tão acentuada que chegamos a suspeitar de olhares tão opostos aos nossos. “Como alguém pode ver dessa forma?”, indagamos, inconformados, tão seguros de nossas certezas absolutas.

Outra maneira de fazer a pergunta em epígrafe é: “Do que é feito o nosso olhar?” Pois ele é feito das crenças que colecionamos ao longo da existência, bem como dos valores que aprendemos e desenvolvemos ao longo da vida. De uma sopa cultural com diversos ingredientes saem os tons esmaecidos ou vívidos a colorir nosso olhar, entre nebuloso ou translúcido.

Quando o olhar está cristalizado pelo conjunto de crenças e valores, é difícil ver a realidade tal qual é. Ao invés do olhar se moldar à realidade, é a realidade que se molda ao olhar. Deixamos de enxergar o que está posto fora para projetar o que está posto dentro. Enxergamos sempre as mesmas coisas, ou seja, aquilo que já está tatuado em nosso consciente, por mais que olhemos tantas outras paragens.

Discernimento é o dom humano de virar o jogo e ver as coisas como elas são.  Não se trata, portanto, de um olhar pessimista, em tons cinzas, nem otimista, em tons coloridos.

É libertador saber que a realidade, inclusive a que nos desagrada, pode ser transformada, não apenas a partir de uma percepção correta, mas sobretudo de  ações corretas.

Enquanto isso, que a esperança nos empreste a sua cor. Dizem que é o verde. Que seja!

Roberto Tranjan

4 comentários, add yours.

Adriana Volejnik

Estava justamente estudando sobre a nossa falta de percepção ao ler textos ligados à nossa área profissional.
Questionando sobre o porque muitas vezes abandonamos leituras importantes.
Com este texto vejo a resposta: estamos presos aos nossos conceitos, às vezes criados fora da teoria e das pesquisas científicas existentes. Paramos, estagnamos, deixamos de escutar e observar. Logo, paramos de ler e escrever.
Obrigada. Como sempre, uma leitura inspiradora.
Abraços

    Metanoia

    Autor

    Que bom que a leitura te inspirou. Esperamos que ela te coloque em movimento novamente, Adriana.
    Que possa caminhar sempre, um bom rito de busca.
    Conte conosco.
    Grande abraço,
    Equipe Metanoia

Jonas

“Discernimento é o dom humano de virar o jogo e ver as coisas como elas são. Não se trata, portanto, de um olhar pessimista, em tons cinzas, nem otimista, em tons coloridos.” Esse paragrafo o que mais se destacou, porque nem sempre o que enxergamos em tons de cinzas é algo pessimista ou ruim, a sempre algo que pode nos ensinar lá na frente e naquele momento não podemos perceber, a mesma coisa ver as coisas nos tons coloridos, pois pode nos ser otimista naquele momento e depois enxergar que a realidade é outra. E que inclusive a que nos desagrada, pode ser transformador.

    Metanoia

    Autor

    Perfeito, Jonas!
    A forma como enxergamos as coisas faz toda a diferença, por isso precisamos estar sempre atentos.
    Conte conosco sempre.
    Grande abraço,
    Equipe Metanoia

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